Cortes
Degradê masculino: qual fade combina com o seu cabelo
Low, mid, high e skin fade: o que muda entre eles, quanto cada um exige de manutenção e qual funciona em cabelo fino, crespo ou com entradas.

Degradê é o corte mais pedido em barbearia no Brasil, e também o que mais gera frustração — porque a palavra cobre coisas bem diferentes. Pedir "um degradê" sem combinar a altura é como pedir "uma comida": você vai receber alguma coisa, mas não necessariamente o que imaginou.
O que define um degradê
Degradê, ou fade, é a transição gradual entre o cabelo curto da parte de baixo e o comprimento maior do topo, sem que se veja onde uma altura vira a outra. O que separa um degradê bem-feito de um malfeito é justamente isso: a ausência de degrau. Se você consegue apontar a linha onde muda, o trabalho não foi terminado.
O que muda de um tipo para outro é onde a transição começa. E essa escolha tem consequência prática no espelho e na agenda.
Low fade
A transição começa logo acima da orelha, bem perto da linha do pescoço. É o mais discreto de todos, o que menos altera a silhueta da cabeça e o que melhor se comporta em ambiente corporativo mais tradicional.
- Indicado para: quem quer um visual limpo sem chamar atenção, e para quem tem a cabeça mais estreita.
- Manutenção: a cada 3 ou 4 semanas — cresce disfarçando.
- Cuidado: em cabelo muito grosso pode deixar volume acumulado nas laterais.
Mid fade
Começa na altura da têmpora, no meio da lateral. É o meio-termo que serve para quase todo mundo, e por isso o mais executado em barbearia. Marca o contorno da cabeça sem o contraste agressivo do high fade.
- Indicado para: praticamente qualquer formato de rosto e tipo de fio.
- Manutenção: a cada 2 ou 3 semanas.
- Cuidado: é o mais dependente da habilidade do profissional, porque a transição fica bem no campo de visão de quem olha.

High fade
A transição sobe até perto do osso do crânio, deixando as laterais bem curtas por uma área grande. Cria contraste forte com o topo e alonga visualmente o rosto.
- Indicado para: rosto redondo ou quadrado, que ganham com o alongamento.
- Manutenção: a cada 15 dias, sem exceção — o crescimento aparece rápido.
- Cuidado: em rosto já alongado, exagera o comprimento.
Skin fade (ou fade na navalha)
A parte mais baixa vai até a pele, sem sobra nenhuma. É o mais marcante dos quatro e o mais exigente: qualquer irregularidade do couro cabeludo aparece, e a manutenção é a mais frequente de todas.
- Indicado para: quem quer contraste máximo e não abre mão de estar sempre impecável.
- Manutenção: de 10 a 15 dias.
- Cuidado: pele sensível pode irritar; quem tem cicatriz ou irregularidade no couro vai vê-la exposta.
Quanto mais alto e mais rente o degradê, mais bonito nos primeiros dias e mais rápido ele desmancha.

O tipo de fio muda a conta
- Cabelo crespo: sustenta muito bem qualquer fade, e o contraste fica mais visível — é onde o degradê rende mais.
- Cabelo liso e fino: a transição fica mais sutil e a nuca pode parecer falhada em fades muito altos; low ou mid costumam funcionar melhor.
- Cabelo ondulado: aceita bem, mas o topo precisa de comprimento suficiente para a onda não brigar com a lateral curta.
- Entradas pronunciadas: fades altos chamam atenção para a linha da testa; low fade com um pouco de comprimento no topo disfarça melhor.
Como pedir sem errar
Três informações resolvem: onde você quer que a transição comece (perto da orelha, na têmpora ou mais acima), se quer chegar até a pele, e quanto comprimento quer manter no topo. Levar uma foto ajuda, desde que seja de alguém com tipo de cabelo parecido com o seu — o mesmo corte em fios diferentes dá resultados diferentes.
E seja honesto sobre a frequência com que você consegue voltar. Não adianta escolher um skin fade se você só consegue vir uma vez por mês: em duas semanas o desenho já não existe mais. Na Dom Elii, no Boa Vista, essa conversa acontece antes de a máquina ligar.


